| Déborah
Marmelsztejn O Universo
sorriu no 1º Encontro Internacional da Família
Kasjusz. Gente de todas as partes do mundo veio
celebrar este tão esperado encontro: do Chile,
nossa tia Rosita de 84 anos; da Colômbia, a
prima Tânia; da Itália, Paulette e família; de
Israel, Guisa e seu filho. e dos Estados Unidos,
a calorosa presença dos irmãos, agregados e
sobrinhos de Max Cassius, além da Kátia
diretamente de Miami. No Brasil pessoas do Rio de
Janeiro, São Paulo e Curitiba, encontrando-se no
Clube dos 500, no final de semana inesquecível
de 21 a 23 de agosto de 1998, que reuniu mais de
200 pessoas.
Logo
que chegamos, Sexta-feira, o cocktail foi
servido, enquanto conhecíamos, encontrávamos
pedaços de nossas vidas. Duzentos e quinze
pessoas, todas da família. Inacreditável!!! Um
misto de euforia e nostalgismo instalava-se no
ar, trazendo a promessa de que aquele seria um
fim-de-semana único. Quanta gente! Que delícia
revisitar minha infância, ver quanta coisa e
quanta gente tinha mudado, conhecer pessoas de
quem eu só ouvia o nome, ver os filhos dos
filhos, sentir que tudo isso era tão vivo!
No
jantar, as velas nos esperavam ao lado de uma
linda chalá gigante, preparada pela tia
Jacqueline, rodeada de chalás menores preparadas
por outras primas. Tia Rosita acendeu as velas do
Shabat, enquanto o "coral paulista"
regido por Mauro Wrona, cantava Shalom Aleichem.
Era
apenas o início...
Era
estranho olhar em volta e saber que todos ali
estavam unidos por um laço invisível. Cores,
crachás, estrelas, gente com cara desconhecida,
outros com cara conhecida (Nossa! Você é a cara
da tua mãe!), e uma melodia comum que unia todas
as histórias ali presentes: a música da
TRADIÇÃO.
Não
importava o que era ou quem era, mas o que a
gente sentia era uma emoção que enchia os olhos
e o coração. Dos 84 anos da Tia Rosita (Chile),
aos quatro meses da Anne Cassius (USA), a
história se perpetuava nos sabores e dissabores
da vida.
Depois
do jantar, muitas aventuras: o discurso de
Jacques Wrona ("Este é um momento ímpar.
Guardem isto, pois é amor o que vocês estão
vendo hoje"); a história viva contada pelo
Moe Cassius, com personagens de verdade que a
gente conhecia; a emoção estampada no rosto do
Vitalis e Mathusalem, que tiveram a inspiração
e o empenho de fazer acontecer este momento; o
Sociodrama preparado por Sonia (Wrona)
Marmelsztejn (uma das quatro Sonias), que nos
ajudou a entender (e/ou confundir) os galhos da
nossa árvore; a carta da Guenha Catran lida por
Alberto Casiuch e ... o minuto de silêncio: a
lembrança dos ausentes, que se faziam tão
presentes naquele momento. Pessoas queridas, que
tiveram sua passagem nesta vida, e que nos
deixaram seus legados e ensinamentos de alegria,
força e amor.
No
Sábado, muitos acordaram com o galo cantando
(pena que o fuso horário deste galo não
seguisse o ritmo normal do amanhecer, pois às 4
horas da manhã ele já estava todo animado!).
Enfim, com ou sem galo, todos queriam aproveitar
o dia. Torneios, esporte, aula de culinária,
aula de dança judaica (Lorena estava demais!), a
gincana das crianças procurando crachás
coloridos, piscina (de biquini e de roupa - mas
cuidado para não molhar o crachá!) e, uma
visita ao Túnel do Tempo - mas este é um
capítulo à parte.
O
Túnel do Tempo era a história viva, que
renascia dentro de nós, ao olhar fotos,
painéis, escritos, cartas, convites, enfim,
retalhos de muitas vidas que se encontravam e se
entrelaçavam naquele espaço: "Olha só o
noivado dela!" ou "Advinha quem é a
garotinha da foto " ou "Olha você
aqui! Você se lembra desse dia?" ou
"Este tio eu não conheci! " ou
"Quer dizer que a minha bisavó era prima de
primeiro grau da sua avó?" E assim era. O
TEMPO tinha outra dimensão: vida e morte eram
quase a mesma coisa, pois a história continuava
através de nós, embora a nossa presença
marcasse para sempre as pessoas queridas de nossa
família. Eu pensava nas pessoas que não estavam
mais lá - em especial, na minha avó Ester
(Kasjusz) Wrona e no meu tio querido Milton
Wrona. Sentia o quanto eles estavam presentes
dentro de mim e sabia que eles continuariam vivos
enquanto eu vivesse. E assim eram todos os
presentes. Cada um com a sua história, alegrias
e tristezas, mas algo havia em comum: estávamos
todos ali naquele momento, de alguma forma
celebrando a vida e homenageando aqueles que nos
deram à vida: avós, pais, filhos, tios, primos,
maridos, esposas. Tudo era uma passagem., como
símbolo desta história, marcando para sempre
este encontro, acontecia em outra sala um grande
empreendimento: liderado pela (pouco teimosa)
Sonia (Wrona) Marmelsztejn , um grupo de
voluntários não desistiu (ainda bem!) de
terminar a árvore genealógica da família.
Prestigiando o tamanho da mesma - ela media nada
mais que 16 metros de comprimento - verdadeiro
acontecimento. Quadrados = homens; círculos =
mulheres; rosa = descendentes diretos; verde =
agregados (para quem não gostou de ser chamado
de agregado, não se ofenda: vocês são
fundamentais!. Na visita à árvore, ouvia-se
comentários do tipo: "Ah! Agora eu
entendi" ou "Como estou em dois lugares
ao mesmo tempo?" ou "Como assim? Eu sou
de duas gerações?" ou " O tio casou
com a sobrinha?" e por ai ia ...
A noite
chegou e trouxe consigo outra grande surpresa.
Tendo o Mauro Wrona como anfitrião e
apresentador, iniciamos após o jantar o Show dos
"Nossos" Talentos. Bom, com tanta
gente, há de se esperar encontrar talentos
"na família". Mas o mais legal de tudo
foi o espaço que se abriu para que cada um
pudesse se expressar. Piano, violão, canto,
piada, jovens, crianças, homens, mulheres,
enfim, a possibilidade de compartilhar. Muitas
pessoas se juntaram para formar um coral: os
cariocas da família de Jayme Casiuch, cantando
(e demonstrando) seu hino, Harmonia; Os Demônios
da Polônia, formado pelos netos de Ana Wrona
cantaram a história da imigração e o coral dos
Bi-galhados, estreando pelos netos de Bernardo e
Ester Wrona cantaram "Eu sou meu próprio
avô". Risos e risos.
Realmente,
a família é animada. Outros momentos foram mais
de emoção do que de risos:o piano da Raquel
Casiuch, Michel Siekierski e o jovem Breno
Casiuch que todos se levantassem para cantar o
Hino de Israel. Diana M. Dubner com sua voz e
ternura de criança. Patrícia (Moritz) Heilberg
com o violão no colo e seu sorriso maroto. E a
dupla inesquecível de Camila Gasko e Helena
Rosenthal - que talentos! Laura Rosenthal também
mostrou sua voz, temperada com humor e
improvisação no palco. Miroel Gasko e Pedro
(isso que é entrar pra família) com o violão e
a voz inacreditável da Helena também deram um
show. Mauro Casiuch ia mexer as orelhas, mas
mudou de idéia. Rimos mesmo assim. E no final,
fechando com chave de ouro, a Lorena e a Janice
conseguiram juntar todos em roda dançando a
música hassídica do "oi, oi, oi" (que
era o mais importante da dança!) .
Tarde
da noite, apesar do sono, queríamos aproveitar.
Na sessão de vídeos, lembranças de pessoas de
um tempo que não volta mais. O tempo de hoje
também não volta amanhã. Que possamos vivê-lo
com alegria, com toda a sua dimensão.
Finalmente, dormir. Uns dormiram um pouquinho
antes do galo cantar (aquele mesmo galo
desnorteado do dia anterior) acordar foi
difícil.
Domingo,
um gosto de despedida se aproximando.
Inesquecível mesmo foi a hora (ou melhor, as
horas) das fotos. Simplesmente não cabia todo
mundo. "Sobe aqui, desce ali";
"Não aguento mais ficar de joelhos";
"Mãe, quero ir brincar, posso sair?";
"Dá licença pra ela entrar aqui!" ...
Era muita gente. Teve a sessão especial dos
agregados (assim chamados mas não assim
sentidos). E o episódio dos netos (Mas ... e
quem era de duas gerações ao mesmo tempo?). Foi
uma grande confusão. Eu ficava imaginando as
próximas gerações olhando estas fotos um dia,
assim como nós olhamos para as fotos antigas dos
nossos avós e bisavós. Era o registro de um
instante, enquanto a vida passava ...
A
organização do evento continuou dando mostras
de excelência.
Questionário
para preencher - uma das perguntas era:
"você gostaria de repetir este
evento?" . Onde? Quando? Espero, do fundo do
coração que ele possa se repetir por muitos e
muitos anos. O mundo é grande para nos receber.
E que os filhos dos filhos continuem esta
iniciativa, cheia de beleza e magia. Foi um
encontro e tanto. E certamente, essa história
vai ficar na História ...
A
todos, VALEU!
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